O português nascido do árabe

O médico catarinense Júlio Doin Vieira lançou o livro “Dicionário de termos árabes da língua portuguesa”, que revela a origem de diversas palavras utilizadas no cotidiano brasileiro. Ele passou dois anos debruçado em dicionários para pesquisar o assunto.

São Paulo – Enxoval é um conjunto de roupas e certos complementos, em geral úteis, de quem se casa, de recém-nascido ou de jovem que se interna em colégio. Essa é a explicação para a palavra que está no livro do catarinense Júlio Doin Vieira. O livro também diz que enxoval é uma palavra originária do termo árabe as-siwâr, que significa utensílios ou mobiliário. Vieira publicou há cerca de três meses um livro para mostrar as palavras em português que são originárias do idioma árabe. Na lista estão desde acelga, verdura cujo nome vem do árabe as-silq, fatia, que vem de futât, fulano, originária de fulân, e mameluco, do termo árabe mamlûks, que quer dizer escravo ou propriedade de alguém.

O livro, chamado “Dicionário de termos árabes da língua portuguesa”, foi lançado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e tem 215 páginas. Vieira, que é médico, foi professor no curso de Medicina na instituição. Hoje com 82 anos, o catarinense está aposentado. Foi na rotina de aposentado, aliás, que surgiu a inspiração para fazer o livro. “Eu estava com insônia, aí tive a idéia de escrever o livro”, diz Vieira, com seu jeito brincalhão. Somado à falta de sono, Júlio Doin Vieira tinha – e tem – na sua casa, em Florianópolis, cerca de 70 dicionários. Mesmo sem ser especialista em línguas, ele se aventurou no trabalho de resgatar a paternidade árabe das palavras faladas no Brasil.

O trabalho durou cerca de dois anos e foi concluído no final do ano passado. Vieira já conhecia a influência árabe sobre o idioma português em função dos seus conhecimentos de história, e conseqüentemente das invasões mouras à Europa, onde os árabes deixaram uma vasta herança cultural. O médico não era, porém, especialista no assunto antes de escrever o livro. No decorrer da pesquisa, que fez junto aos seus dicionários, foi tendo agradáveis surpresas. “Você sempre acha coisas para decifrar, para ler, rir e comentar”, diz. Vieira não tem descendência árabe, mas portuguesa, francesa, alemã e cabocla. E bom humor. “Dizem que árabes são todos que têm cabelo no dedo anular da mão esquerda. Eu não tenho”, fala.

Vieira exerceu a Medicina por 54 anos, deu aulas na Universidade Federal de Santa Catarina por 30 anos e foi chefe do Serviço Médico do Diretório Estadual de Trânsito (Detran) de Santa Catarina por 38 anos. Tem também sete livros publicados sobre Medicina, Espiritismo e Maçonaria. Morador de Florianópolis, Vieira se mudou para a cidade com um ano de idade. Nasceu no interior, em uma cidade chamada Campos Novos. Na cabeceira da cama, ele mantém livros de poetas como Castro Alves e Augusto dos Anjos. Vieira é também presidente de honra da Academia Catarinense Maçônica de Letras.

O prefácio do livro de Vieira foi feito pelo presidente do Clube Homs, Sergio Zahr. Foi no clube, aliás, que foi feito o lançamento da publicação na cidade de São Paulo, no final do mês de abril. Júlio Doin Vieira vai dar uma sessão de autógrafos na Feira de Rua do Livro, que começou no dia 02 e segue até o dia 12, no Largo da Alfândega em Florianópolis. A sessão vai ocorrer no próximo domingo (06) a partir das 16 horas. O livro “Dicionário de termos árabes da língua portuguesa” custa R$ 30 e pode ser adquirido junto à Editora da UFSC.

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Fonte:

Fonte: ANBA


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