{"id":342,"date":"2013-09-01T13:02:21","date_gmt":"2013-09-01T13:02:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/rs\/pr\/2013\/09\/01\/um-islao-em-que-as-mulheres-jantam-com-os-homens\/"},"modified":"2013-09-01T13:02:21","modified_gmt":"2013-09-01T13:02:21","slug":"um-islao-em-que-as-mulheres-jantam-com-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/r-islam.com\/pr\/um-islao-em-que-as-mulheres-jantam-com-os-homens\/","title":{"rendered":"Um Isl\u00e3o em que as mulheres jantam com os homens"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Ch\u00e3, Loureiro, Cimo de Vila. Tr\u00eas ruas de um Porto escuro, pintalgadas de islamismo e muezins como banda sonora. Os animais morrem em nome de Allah. O trabalho p\u00e1ra uma hora \u00e0 sexta-feira. Em paz.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/ng1035146.jpg\" border=\"0\" \/><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">O rel\u00f3gio que est\u00e1 certo, apesar de o tempo n\u00e3o lhe correr nas veias, \u00e9 o primeiro a contar de baixo. Um despertador de pl\u00e1stico vermelho, apontado para as duas horas. Da tarde. Kamran posta-se frente \u00e0 coluna de horas paradas, tapa os ouvidos, fecha os olhos e ausenta-se do tempo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">\u00c0 volta dele, carreiros de homens descal\u00e7os esgueiram-se para a sala. Kamran entoa o adhan (chamamento). \u00c9 sexta-feira, hora de salat (ora\u00e7\u00e3o) na mesquita entrincheirada na travessa do Loureiro, acima dos comboios de S. Bento. E ele \u00e9 o muezim.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">O Isl\u00e3o, no Porto, vive-se \u00e0 medida das possibilidades. E sente-se com simplicidade, de m\u00e3os dadas com aquele pequeno peda\u00e7o de Portugal, pouco mais do que um n\u00f3 na malha da hist\u00f3ria portuense: o Cimo de Vila, a Rua Ch\u00e3 e a do Loureiro. Com a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria na base e o amarelo torrado do Teatro Nacional S. Jo\u00e3o a dominar o morro da Cividade. Outrora eldorado das pechinchas mec\u00e2nicas, ber\u00e7o de uma das maiores cadeias de lojas de electrodom\u00e9sticos do pa\u00eds, lar de algumas das tascas mais t\u00edpicas da Invicta e posto de trabalho &#8211; ainda e sempre &#8211; das aliviadoras dos males de alma masculinos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Continua assim o lugar. Casas do passado, cal\u00e7ada incerta, cortinas \u00e0 entrada dos albergues, as incontorn\u00e1veis peles da Casa Crocodilo, as mulheres garridas e, agora, as vestes igualmente garridas das mulheres pudicas. Mu\u00e7ulmanas, na maioria de raiz oriental, com todo o festival de cor que isso significa, cruzam a rua de crian\u00e7a pelo bra\u00e7o, indiferentes \u00e0s crist\u00e3s de baton e unha vermelha. &#8220;S\u00e3o elas que d\u00e3o aqui neg\u00f3cio&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Elisabete, portuguesa desgastada com o desemprego do sector t\u00eaxtil destru\u00eddo pelos chineses, arrumou a agulha e vestiu o avental. Serve no Taj Mahal. Caril intenso no ar, patr\u00e3o escuro como as montanhas do Paquist\u00e3o, paredes meias com uma dessas entradas de cortina enegrecida. Ali dentro, h\u00e1 Isl\u00e3o e doner kebab a girar. No descanso da tarde, h\u00e1 mulheres da vida e mu\u00e7ulmanos com t-Shirt sobradas do Euro 2008. A estimular Portugal. Tudo na paz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Outro mundo sobre a esta\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Mais do que viver, os mu\u00e7ulmanos do Porto trabalham ali. Nas mil lojas de roupa barata e colorida, at\u00e9 \u00e0s oito da noite, para aproveitar as sa\u00eddas dos comboios em hora de ponta. Falam como sabem. Mal, metade deles, nada, a outra metade. A metade feita de mulheres e crian\u00e7as, poucos v\u00e9us, o calor do Oriente flexibilizou as interpreta\u00e7\u00f5es do Alcor\u00e3o. Muitas chegaram nos \u00faltimos meses, o reagrupamento familiar, aqui, ainda \u00e9 dif\u00edcil. Cheira a \u00cdndia. Ou Paquist\u00e3o, ou Bangladesh. \u00c9 igual. Ou \u00e0 parte de Mo\u00e7ambique feita de \u00cdndia, mesmo respeito pela religi\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">No largo, Altaf descansa das festas de Freamunde, para onde foi tentar vender a tenda. \u00c9 dos poucos que vivem na Rua do Loureiro, mulher e filhos importados do Punjab paquistan\u00eas h\u00e1 seis meses. Quase n\u00e3o sabe portugu\u00eas, apesar dos sete anos de vida em Portugal. Com ele, um grupo de dois ou tr\u00eas homens, mais adiante outro. \u00c9 normal nos fins de tarde. Est\u00e1 calor, trocam o Taj Mahal pela rua, olham desconfiados para a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica e d\u00e3o discretamente sinal \u00e0 mulher que assoma a uma das varandas. Apesar de andarem soltas, as mulheres precisam de autoriza\u00e7\u00e3o masculina para aparecer. Quer\u00edamos conhecer a dele, de Altaf, at\u00e9 j\u00e1 a v\u00edramos passar, escondida pela pressa. N\u00e3o vai ser poss\u00edvel, Altaf n\u00e3o pode estar em casa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Abdul, estudos de ci\u00eancia pol\u00edtica terminados no Paquist\u00e3o abandonado h\u00e1 seis anos, explica que \u00e9 assim e pronto. Em casa dos outros. Na dele, partilhada com a esposa portuguesa, o jovem de 30 anos adaptou as regras. &#8220;Viemos para c\u00e1. Temos que mudar&#8221;. Guia-nos pelos 75 degraus que conduzem \u00e0 pequena mesquita da Travessa do Loureiro. Num patamar interm\u00e9dio, os gatos saltam sobre as torneiras para as ablu\u00e7\u00f5es, \u00e1gua que purifica por fora para melhor receber a purifica\u00e7\u00e3o por dentro.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">\u00c0 vista, um postal do Porto. Torres e sinos de igrejas a tocar enquanto Kamran encanta os fi\u00e9is. Nesta sexta-feira s\u00e3o mais de cem. Por ser sexta-feira. Domingo no Isl\u00e3o. E por ser sexta-feira, dia de trabalho em Portugal, \u00e9 que a reuni\u00e3o se faz \u00e0s duas da tarde. Nos outros dias, dizem os despertadores vermelhos da mesquita, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 ao fim da tarde. Ou de manh\u00e3. Vem quem pode. E tamb\u00e9m por ser sexta-feira, Idris Ahmed pediu a Farzana, com quem partilha os dias e tr\u00eas filhos, para preparar uma baciada de gulab jamun, iguaria doce de farinha mergulhada em xarope de \u00e1gua de rosas e cardamomo, para os fi\u00e9is que v\u00eam de mais longe &#8211; tamb\u00e9m os h\u00e1 &#8211; aconchegarem as entranhas depois de purificadas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Flores e caril com os Anwar<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Sabe extraordinariamente bem. Oferecida como sobremesa numa viagem ao Isl\u00e3o oriental, servido \u00e0 mesa da fam\u00edlia Anwar, ali nas margens da Pra\u00e7a dos Poveiros. \u00c9 uma das menos de duas m\u00e3os cheias de fam\u00edlias paquistanesas j\u00e1 reagrupadas no Porto. A alegria em forma de apartamento. Zulficar brinda-nos com a sabedoria de um portugu\u00eas aprendido em oito anos de operariado abrilhantado com um ano de aulas na Junta de Freguesia do Bonfim. Essa mesma que oferece a quem entender a possibilidade de se integrar um pouco mais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Casa espartana, paredes nuas ou quase, andar do Estado Novo e m\u00f3veis talhados do passado portugu\u00eas. Zulficar, 50 anos, viveu aqui sozinho at\u00e9 h\u00e1 cinco meses. At\u00e9 que Zaida veio encher aquele T3 com o seu sorriso intermin\u00e1vel. Faz de conta que usa v\u00e9u, \u00e9 mais um len\u00e7o de seda que ora cobre o cabelo arrepanhado, ora cai para o pesco\u00e7o, sobre o sari rosa forte.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Atr\u00e1s dela, Mariam, cinco anos de curiosidade, e Ali, 15 anos, ligeiro atraso mental e a necessidade de mostrar que sabe falar portugu\u00eas. &#8220;Boa tarde! Bom dia!&#8221; Porque \u00e9 Ver\u00e3o, a di\u00e1spora marcou encontro. Misba, sobrinha do patriarca, veio de Logro\u00f1o, em Espanha, descansar o \u00f3cio. Trouxe Amza, reguila enturmado, castelhano sem falhas, e F\u00e1tima. Casa cheia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Do novo, o odor a caril. Zaida atarefa-se na cozinha impec\u00e1vel. Tr\u00eas panel\u00f5es borbulham \u00e0 espera dos convivas, enquanto na sala Zulficar explica a vida. N\u00e3o quer a mulher a trabalhar, diz a rir, e logo corrige: quando ela souber falar. E conta dos dois filhos de oito e 12 anos que ficaram no Punjab com a av\u00f3. Quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, nem tudo \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quanto parece. Que o diga Abdul, cuja renova\u00e7\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia foi recusada porque foi passar uns meses a Inglaterra, divorciou-se e perdeu-se nos prazos, mas n\u00e3o nas contas &#8211; nunca deixou de descontar para a Seguran\u00e7a Social e o fisco. Tem f\u00e9.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">As crian\u00e7as correm pelo corredor. Sinal de que a fam\u00edlia se voltou a reunir, h\u00e1 flores de pl\u00e1stico pela casa. Nas cortinas, na jarra do corredor, nos quartos. O Oriente no seu melhor. Toca o telem\u00f3vel, toque de sitar, sonoridade de Shankar. Todas as semanas se fala dali com o Paquist\u00e3o. Cinco euros de cada vez.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Zaida traz o chapati para a mesa. Feito por ela, \u00e9 o p\u00e3o t\u00edpico de todas aquelas paragens que foram, em tempos, apenas e s\u00f3 a Gr\u00e3-Bretanha do lado de l\u00e1 do Planeta. Enquanto distribui arroz basmati, caril de frango e chanan, uma especialidade de gr\u00e3o de bico, Zulficar explica o \u00fanico quadro da casa, al\u00e9m da fotografia do sobrinho falecido. O Paquist\u00e3o rural, mulheres a levar lassi, a bebida de iogurte punjabi, e chapati ao homem que trabalha no campo. \u00c9 parecido com a aldeia de onde veio. A aldeia onde deixou costumes isl\u00e2micos mais arreigados.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Zaida senta-se \u00e0 mesa contando, em urdu, a simpatia dos portugueses, a amenidade do clima, o racismo que n\u00e3o sente. &#8220;Na minha terra, as mulheres comem de um lado, os homens do outro. Mas aqui n\u00e3o. Entraste em minha casa, aqui comemos todos juntos&#8221;, diz Zulficar. H\u00e1 salada de pepino e, no fim, gulab jamun. Com ch\u00e1 &#8220;paquistan\u00eas&#8221;. Forte, libertado em leite com cardamomo. Tradi\u00e7\u00e3o oriental. \u00c0 mesa, a tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana est\u00e1 no frango. &#8220;Halal&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">&#8220;Allauh Akbar&#8221;, ora\u00e7\u00e3o da carne<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Foi comprado na rua cruzada com o Cimo de Vila. Acima da montra, o velho letreiro ainda clama &#8220;Talho da Rua do Cativo. Carnes Frescas e Fumadas&#8221;. Haddach n\u00e3o quis mexer na hist\u00f3ria. O nome do lugar, o verdadeiro, est\u00e1 impresso em folha A4. Em portugu\u00eas e \u00c1rabe. &#8220;Talho Halal Cidade-Iman Lda&#8221;. Na montra, em vez de carnes, um tajine, Meca e mercearia \u00e1rabe. Abriu h\u00e1 ano e meio, ali por ser ali que os mu\u00e7ulmanos confluem. Pela mesquita, pelas lojas, pela mercearia indiana.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Haddach \u00e9 marroquino, de Ouarzazate, terra de fitas hollywoodescas. Deixou l\u00e1 a mulher e dois dos tr\u00eas filhos. O mais velho fez-se \u00e0 vida em Fran\u00e7a. N\u00e3o seguiu as pisadas do pai, que escolheu, sabe Al\u00e1 porqu\u00ea, as obras em Portugal. Veio c\u00e1 parar em 2001, aos 40 anos, depois de uma passagem por Fran\u00e7a para se legalizar.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">&#8220;Os portugueses receberam-me bem&#8221;. Ao ponto de, em Fevereiro, Haddach ter pedido a nossa nacionalidade. \u00c9 definitivo. O pedido de reagrupamento familiar entrou no Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras h\u00e1 um m\u00eas. Foi na onda de outros homens cansados de estar sozinhos, moda que cresceu de h\u00e1 uns tr\u00eas meses para c\u00e1 entre os marroquinos. S\u00e3o poucos por c\u00e1, Fran\u00e7a e Espanha oferecem mais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">O segredo \u00e9 quase nenhum: virar o animal para Meca, dizer &#8220;bismillah allahu akbar&#8221; (&#8220;em nome de Deus, Deus \u00e9 grande&#8221;), cortar-lhe o pesco\u00e7o de orelha a orelha e deix\u00e1-lo sangrar at\u00e9 ficar exangue. &#8220;Se cortar s\u00f3 um bocado h\u00e1 veias em que fica sangue. E o sangue tem bact\u00e9rias&#8221;. H\u00e1 fotos na parede, do matadouro de Famalic\u00e3o onde Haddach vai cortar pesco\u00e7os com as pr\u00f3prias m\u00e3os. S\u00f3 mata quem sabe.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">O neg\u00f3cio vai correndo. Vende tudo menos porco. H\u00e1 portugueses a comprar ali. Mu\u00e7ulmanos vindos de Vila do Conde. Outros do Porto, onde se espalham. \u00c9 assim a comunidade. Livre e dispersa. E pr\u00e1tica. Os lojistas dali \u00e9 que pagam a renda da mesquita da Travessa do Loureiro. E o sal\u00e1rio de Idris Ahmed. Haddach tamb\u00e9m contribui. S\u00e3o dele uns dos incont\u00e1veis sapatos que v\u00e3o escondendo os 75 degraus a caminho da ora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Tem que estar tudo limpo. A alma e o corpo, a roupa e os p\u00e9s. Come\u00e7a-se pelas m\u00e3os, a boca e o nariz. Depois purifica-se a face. Lavam-se os bra\u00e7os e a cabe\u00e7a. E, no fim, os p\u00e9s. Em casa ou na mesquita.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">Os sapatos ficam \u00e0 porta. Porque pisam a sujidade do Mundo. Higiene e rever\u00eancia. Porque Deus disse a Mois\u00e9s, na montanha, &#8220;descal\u00e7a-te, que est\u00e1s num lugar sagrado&#8221;. Faltam as mulheres. V\u00eam pouco. Est\u00e3o dispensadas pelas regras. S\u00f3 os homens t\u00eam que orar em local p\u00fablico, elas purificam-se em casa. Idris aponta, no entanto, o min\u00fasculo espa\u00e7o reservado \u00e0s que entenderem &#8220;juntar-se&#8221;. Atr\u00e1s de uma parede, longe da vista e do contacto pr\u00f3ximo, corporal e visual, de p\u00e9 ou em prostra\u00e7\u00e3o, que a ora\u00e7\u00e3o implica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times;\">http:\/\/www.jn.pt<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ch\u00e3, Loureiro, Cimo de Vila. Tr\u00eas ruas de um Porto escuro, pintalgadas de islamismo e muezins como banda sonora. 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