Fim do Ramadã dá início a verdadeiro festival gastronômico

Todos os olhares no mundo islâmico se voltaram para o céu no início desta semana, em busca do primeiro sinal da lua nova. A aparição indicou o fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos, e o início de uma verdadeiro festival gastronômico.

Embora o Ramadã gire em torno da leitura do Corão e do jejum diário, o mês é também fortemente marcado pelas iguarias do “iftar”, o jantar que reúne as famílias para a quebra do jejum.

Jantar muçulmano para quebrar o jejum do Ramadã em hotel de Dhaka, em Bangladesh

Nos países muçulmanos, os dias de abstinência são uma corrida aos mercados, em busca dos ingredientes que estarão nas mesas do “iftar” e do “sohor”, o café da manhã prévio ao jejum.

As receitas variam de acordo com os costumes de cada país. Em comum entre eles, a fartura das mesas, verdadeiros banquetes. Sobretudo no momento da sobremesa, quando a degustação de doces pode durar horas.

“Servimos os pratos típicos da cozinha árabe e adicionamos algumas tradições do Ramadã, como o suco de tamarindo, as tâmaras secas e os doces”, diz Joseph Ghazzawi, gerente do hotel Ancars, em Ramallah, na Palestina.

No bufê montado sob uma tenda, que o gerente diz, orgulhoso, ser “a única de Ramallah”, uma mesa com 11 diferentes pratos quentes, além de dez tipos de saladas. Entre eles, abobrinhas, maxixes e berinjelas recheadas com arroz e carneiro, arroz com açafrão e passas, quiabo com tomate, “cigarros” de folhas de uva com recheio de arroz e especiarias, e uma bandeja com misteriosos embrulhos de papel laminado.

Dentro, um delicioso pedaço de carneiro feito no vapor, macio a ponto de desmanchar-se na boca. As saladas são um mundo a parte, do humus (pasta de grão-de-bico), a vários tipos de coalhada e legumes em conserva.

CORRIDA

Depois de 15 horas em jejum, a corrida aos pratos é inevitável. Seis TVs ornamentam a tenda, alternado passagens do Corão e pegadinhas da televisão egípcia.

O jejum é em geral quebrado com algumas tâmaras secas ou suco de tamarindo. Em seguida, um caldo ralo com “friki”, o trigo assado que é obrigatório nas mesas do Ramadã. Até os cristãos de Israel entram no clima.

“Não jejuamos, mas gostamos de ir a restaurantes no ‘iftar’ e participar da confraternização”, diz Vera Juries, cristã de Jerusalém.

Na mesa das sobremesas, dez tipos de doces. Há desde os tradicionais “baklawa” (pastel de massa folhada) e “knafe” (massa fina com queijo), musses, tortas e massas fritas e “basbousa” (bolo com calda de rosas).

Durante um mês (que pode variar de 29 a 30 dias, segundo o calendário lunar) é proibido comer, beber, fumar e praticar sexo da alvorada até o pôr do sol. Isso às vezes significa café da manhã às 3h.

“Acordo, como e volto a dormir”, diz Wael Alqarra, que trabalha em uma organização humanitária em Gaza. “É um grande café da manhã, só que no meio da noite”, diz.

De Jerusalém a Teerã, a comida muda as cidades durante o período do Ramadã.

Patrícia Chiarello, que no início de agosto tornou-se a primeira diplomata brasileira a servir no Irã, ficou surpresa com o comércio de rua que surge no fim do jejum.

“Uma coisa curiosa é a aglomeração de pessoas em frente a restaurantes ou até pequenos quiosques que vendem sopa na cidade. De repente, é dada a largada e todos avançam para comer.”

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Fonte: Folha de São Paulo


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